Somos uma nação II?

Tenho ouvido comentários a respeito de sermos ou não uma nação. Fiquei a pensar qual seria o significado real do que é ser uma nação, pois tenho ouvido falar, muito, sobre isso sem que o autor contextualizasse antes para expressar sua opinião a respeito.

Sem sombra de dúvidas, uma Nação constituída está representada pelo pacto firmado entre os indivíduos que habitam uma região delimitada geograficamente identificada como país. Imaginem… é um pacto firmado entre os indivíduos de um determinado país, um casamento coletivo para sermos atual já que essa palavra está muito em voga. Se é um pacto ou casamento, sabemos muito bem, alguma renúncia haverá de ter. Não é possível “costurar” um pacto em que todos os anseios e desejos sejam atendidos.

Mas, onde esse pacto está registrado? Em que documento? Se pensarmos bem estaremos começando a entender o conceito de Nação. O pacto, entre todos os habitantes de um determinado país, está institucionalizado na carta magna desse país. Isso mesmo o pacto está registrado na nossa constituição e suas diversas regulamentações.

Nesse momento parece nos chegar à mente a razão da existência do Poder Judiciário. Um segmento da população, segundo a livre iniciativa de cada um, estuda e aprende tudo que está no pacto nas diversas áreas do Direito.

De repente vemos a razão de existir do congresso nacional – câmara e senado – está pactuado a existência da estrutura do estado. Poder legislativo, Poder Judiciário e Poder executivo a quem compete executar as políticas públicas de acordo com o pacto e os novos anseios da população no que diz respeito à manutenção e criação das coisas físicas como um sistema de saúde, um sistema viário urbano ou interestadual etc.

A partir desse momento é possível abstrair e divagar a respeito daquilo que afirmo com frequência e vejo sorrisos como se eu estivesse brincando. Não, nunca estive brincando! Reconheço a importância dos Governos Federais sob a tutela do PT. E o que é que tem a ver o PT e o pacto que chamamos de Nação? Como disse anteriormente, todo pacto pressupõe renúncias porque não é possível atender a tudo e a todos. Nos governos do PT a sentença “é proibido proibir” nunca foi tão exercida. Parecia que esse país havia se transformado na casa de Noca onde todo mundo discute suas razões dispares e todos parecem ter razão. Impossível, fisicamente até, ser assim. Os limites são necessários e eles, na sua maioria, estão contidos no pacto. Alguns atendendo a valores adotados ao longo do tempo. Só para exemplificar e ficar, mais ou menos, claro, levar cachorro à praia é proibido por lei. De repente gato e cachorro tem um cachorro e se acha no direito de levá-lo à praia.

E a luta de alguns pelo direito dos animais? Muito interessante e apoio, mas a campanha pelo direito de os gatos irem junto aos seus donos nas viagens aéreas representa o que estamos tentando dizer. No pacto a maioria não concorda com isso! Ditadura da minoria?

Além de “passar a mão pela cabeça” da população o PT, na figura do presidente Lula, sempre tentou desacreditar as instituições e até tentou amordaçar a imprensa. O Poder Judiciário era demonizado assim como o Poder Legislativo que era “corrupto e inútil”. Foi nessa onda do corrupto e inútil que chegamos aonde estamos hoje. Encalacrado até o “talo” com um presidente de mente pequena e tacanha.

O que, realmente, isso significa? Incitar o povo a agir fora do pacto é destruir a Nação constituída. De repente me pergunto. Já fomos, algum dia, uma Nação constituída? Em hipótese alguma isso já aconteceu um dia. Veja bem… lá vem o Ciro Gomes entrando na conversa, desde a proclamação da república que já começamos torto. Somente 20% da população era considerada de primeira classe. Os oitenta porcento restantes, formado por pretos, mulatos e mestiços, não eram considerados assim e muitos anos se passaram para que obtivessem o status de cidadão, de acordo com a lei, mas jamais absorvido pelos vinte por cento acima citados. Um preconceito estrutural foi absorvido por todos os cidadãos independente da classe social a que, supostamente, pertenciam.

Como se dá esse preconceito no Brasil? Com o pretexto de “branquear a raça”, a classe considerada de primeira, difundiu e gravou na mente de toda população que ter a pele mais escura era um mal a ser corrigido. Impressionante a capacidade dessa gente! Delegou seu preconceito à própria população alvo que passou a agredir física e psicologicamente ao seu próprio irmão. Os mais branquinhos agridem sem parar os mais pretinhos. Precisamos “abrir” os olhos da população desse país para o fato de que ser mais ou menos preto não é crime nem doença e que não se faz necessário fazer nenhum tipo de correção.

Em oposição ao Lulopetismo, assumiu a presidência da república um indivíduo que prega o ódio e a intolerância em todas as suas vertentes. Nega ou negava a legitimidade dos Poderes Judiciário e Legislativo. Inclusive se elegeu prometendo exterminá-los. Não consigo enxergar tentativas maiores do que essas de destruir a nação. Enquanto o outro pregava a liberdade total sem limites, esse incentiva o controle total do nosso modo de viver. Ambos vão de encontro, mas não em oposição, ao objetivo de destruir a Nação constituída ou a constituir.

Por outro lado, temos um Poder Judiciário que se coloca acima do pacto ao desmoralizar e tornar inoperante o que seria sua corregedoria: o CNJ. Se estar acima do pacto esse deixa de existir, não tem valor. Não é por outra razão que alguns segmentos da população se acham ou se acharam no direito de se colocar acima do Poder Judiciário. Os dois governos da união, citados acima, o faz ou fizeram de formas diferentes, mas com o mesmo objetivo: passar ileso com seu cabedal de patifarias.

Maior crime contra a nação comete o Poder Legislativo porque foi criado para “legislar” o que significa criar leis e/ou aperfeiçoar as existentes assim como fiscalizar os atos do Poder Executivo. Não faz nem uma coisa nem outra, pelo menos no que diz respeito à qualidade e/ou necessidade das leis que propõem aliado ao fato de que, na maioria esmagadora das vezes, se colocam a serviço dos governantes.

Sob esse argumento fica claro, mais uma vez, que não somos uma nação.

No site da Wikipédia encontramos argumentos mais interessantes, mas, o próprio site, pede parcimônia no uso destes.

“Nação, do latim natio, de natus (nascido), é uma comunidade estável, historicamente constituída por vontade própria de um agregado de indivíduos, com base num território, numa língua, e com aspirações materiais e espirituais comuns.

É a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradiçõesreligião, língua e consciência nacional.

Mas, a rigor, os elementos território, língua, religião, costumes e tradição, por si sós, não constituem o caráter da nação. São requisitos secundários, que se integram na sua formação. O elemento dominante, que se mostra condição subjetiva para a evidência de uma nação assenta no vínculo que une estes indivíduos, determinando entre eles a convicção de um querer viver coletivo. É, assim, a consciência de sua nacionalidade, em virtude da qual se sentem constituindo um organismo ou um agrupamento, distinto de qualquer outro, com vida própria, interesses especiais e necessidades peculiares.

Nesta razão, o sentido de nação não se anula porque seja esta fracionada entre vários Estados, ou porque várias nações se unam para a formação de um Estado. O Estado é uma forma política, adotada por um povo com vontade política, que constitui uma nação, ou por vários povos de nacionalidades distintas, para que se submetam a um poder público soberano, emanado da sua própria vontade, que lhes vem dar unidade política. A nação preexiste sem qualquer espécie de organização legal. E mesmo que, habitualmente, seja utilizada em sinonímia de Estado, em realidade significa a substância humana que o forma, atuando aquele em seu nome e no seu próprio interesse, isto é, pelo seu bem-estar, por sua honra, por sua independência e por sua prosperidade.”

Não ouso nem mudar a fonte nem, tampouco, seu tamanho… um determinado mestre deveria ter lido antes de proferir sua sentença sobre o que é uma nação. Divagando sobre esse texto chegamos, agora com pesar, ao mesmo estado mental e voltamos a afirmar, agora com maior convicção e dor, não somos uma nação constituída.

Nesta citação da Wikipédia discordo do termo religião para religiões e a falta de clareza quanto à legitimação da Nação através do pacto institucionalizado na Carta Magna.

Deixe uma resposta