O Elo Perdido

O Elo Perdido

Desde pequeno a curiosidade sobre os condicionamentos que nos aprisionam no mundo etéreo da mente, me chamaram a atenção. Um deles dizia respeito ao racismo que, a meu ver, estava enraizado no seio da nossa população mestiça. De imediato, após a proclamação da república em 1898, o segmento considerado cidadãos de primeira classe tiveram como primeira preocupação o branqueamento da população brasileira. Isto fica claro a partir de um trecho do livro de Laurentino Gomes1. “Além do abandono a que foram relegados os ex-cativos, havia um traço mais sutil e duradouro da escravidão que, a rigor, jamais se apagou na cultura brasileira. É o preconceito contra negros e mulatos. Exemplo disso é a história envolvendo três fundadores da Academia Brasileira de Letras contada pela professora Emília Viotti da Costa. Segundo ela, quando Machado de Assis morreu, um de seus amigos, o escritor paraense José Veríssimo, escreveu um artigo de jornal em sua homenagem. Violou, no entanto, uma convenção social ao chamar o falecido de “o mulato Machado de Assis”. Joaquim Nabuco, que leu o artigo, não gostou da expressão e pediu a Veríssimo que a retirasse do texto. “Seu artigo no jornal está belíssimo”, escreveu o grande abolicionista pernambucano. “Mas esta frase causou-me arrepio. (…) Rogo-lhe que tire isso (…). A palavra não é literária e é pejorativa. (…) O Machado para mim era um branco e creio que por tal se tomava…”

Como imaginava Nabuco, Machado de Assis, de fato, passara a vida atormentado por três pesadelos: os ataques epiléticos frequentes, as origens modestas e a cor escura da pele. Casou-se com uma mulher branca, manteve uma atitude discreta em relação à campanha abolicionista e suas obras literárias são povoadas por personagens de pele clara. Raras vezes se referiu a negros ou mulatos em seus romances e contos. “Todos sabiam que Machado era um mulato, mas reconhecer isso publicamente seria uma gafe, uma ofensa a Machado”, resumiu Viotti da Costa.”

Necessário se faz aprofundar-se nos mistérios da mente alcançando elevado nível de abstração para entender a situação a partir dos amigos e do próprio Machado de Assis. A partir do próprio, o desejo inalcançável de não ser um mulato dado ao fato de quem era e o que era. A partir dos amigos a negação do óbvio já que tal situação não lhe cabia dado ao fato de quem era e do que era capaz. A sua condição de grande literato o fazia branco dado ao fato de que um preto não seria capaz de sê-lo.

Na ânsia de mostrar ser branco ou da raça branca, muitos assumiam uma postura racista para que ficasse clara essa condição de ser branco. Podemos afirmar que esse comportamento se traduz num estado permanente de agressão física e/ou psicológica ao homem de cor preta. Como exemplo, para reforçar o que aqui afirmo, podemos citar o chefe da propaganda nazista Joseph Goebbels que, é possível afirmar a partir das suas fotos, não era um ariano puro. Hitler, provavelmente, percebeu isso e usou a seu favor já sabendo que o mesmo faria de tudo, mesmo os mais horrendos crimes, para provar o contrário.

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Paul Joseph Goebbels  foi um político alemão e Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista entre 1933 e 1945. Um associado e devoto apoiante de Adolf Hitler, ficou conhecido pelas suas capacidade oratórias em público e pelo seu profundo e fanático anti-semitismo, e sua crença na conspiração internacional judaica que o levou a apoiar o extermínio dos judeus no Holocausto.

Goebbels, que ambicionava ser escritor, obteve o grau de Doutor em Filosofia pela Universidade de Heidelberg em 1921. Em 1924, aderiu ao Partido Nazi, onde trabalhou com Gregor Strasser na sua delegação do Norte. Em 1926, foi nomeado Gauleiter (líder distrital) por Berlim, onde começou a interessar-se pela utilização da propaganda para promover o partido e o seu programa. Após a chegada ao poder dos nazis em 1933, o Ministério da Propaganda de Goebbels rapidamente conseguiu o controle absoluto da imprensa, arte e informação na Alemanha. Era um particular adepto em usar a recente rádio e os filmes para fins de propaganda. Os temas centrais eram o anti-semitismo, ataques ao bolchevismo e, após o início da Segunda Guerra Mundial, a tentativa de moldar a moral.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Goebbels

Após a proclamação da república o Brasil ficou dividido em dois tipos de cidadãos: 20% que se consideravam brancos e eram considerados cidadãos de primeira classe, assim como o Machado de Assis, e 80% compostos de pretos, mestiços, mulatos e cafuzos e não eram considerados cidadãos inexistindo, entre eles, o direito ao voto, por exemplo. Os 20% decidiram importar trabalhadores brancos da Europa para branquear os outros 80%. Para esclarecer, melhor ainda, vou contar uma história em que eu mesmo estou envolvido. Ainda pequeno e vivendo no interior do estado na cidade de Antas, sede de município de mesmo nome, aprendi que os poucos pretos que lá viviam não eram iguais a nós. Tenho sete irmãos e um deles nasceu com a pele muito branca, os olhos azuis e o cabelo totalmente loiro. Esse era o preferido dos meus pais que não faziam questão de esconder. Meu pai se dizia da raça Saborá (ou sub-raça) que diziam ser composta só por pessoas brancas, o que não significava serem da raça branca, e tinha os olhos verdes. Lá um belo dia estava eu na casa dos meus avós quando descobrir, numa caixa de guardar “coisas”, um retrato do meu avô, já falecido, pai da minha mãe. Para minha surpresa era um mulatão forte e alto com cabelo de “pixaim” o que significava crespos e encaracolados. Questionei minha mãe sobre isso e ela me respondeu que isso era problema do pai dela e não atingia a ela; ou seja: o pai era mulato, mas ela, de cor branca, havia nascido branca resultando em que não mais tinha a mancha de ser preta.

Até hoje essa maioria mestiça, que tem uma pela mais clara, se consideram brancas e são quem mais discriminam seus irmãos de pátria. Significa que o elo ou segmento da população maioria no país, não tem noção dessa condição de ser mestiça. Bem diza um radialista da cidade de Salvador na Bahia: “único branco aqui na Bahia era o cônsul da Suécia que já se foi dessa para melhor”. Podemos estender para o resto do país composto de portugueses (mestiços resultante de várias pseudo raças, Lusitanos, Romanos e Mouros, para citar três dos vários povos, que chegaram a essa península, de pele escura ou parda e que invadiram a península Ibérica) e trabalhadores europeus importados para fazerem trabalhos braçais em troca de comida e um teto improvisado.

Em resumo, seria mais importante estarmos a pensar e propor medidas visando beneficiar a raça brasileira resultante das três raças conhecidas: preta, branca e amarela. Uma publicidade a partir do ministério da cultura deveria dar ênfase a esse segmento da população brasileira que possui qualidades inerentes a um povo saldável: beleza, inteligência, saúde, tolerância, em harmonia com o meio em que vivem, com amor aos seus irmãos de pátria, ansiosos pela conquista de seu futuro através da ciência e do conhecimento, amantes das artes principalmente da música, da literatura, boa culinária, poesia, etc. Tudo isso sem discriminar ou patrocinar estado de baixa autoestima nos demais segmentos, se assim se consideram, constituídos pelas raças preta, branca ou amarela. Em resumo não haverá discriminação dos remanescentes dessas três raças e pertencentes à população brasileira.

 

1. Gomes, Laurentino, 1956 –

1889 : como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da
monarquia e a proclamação da República no Brasil / Laurentino Gomes. – 1. ed. – São Paulo : Globo, 2013. il.
Inclui bibliografia e índice
ISBN 978-85-250-5515-6
1. Brasil – História – Proclamação da República, 1889. 2. Brasil – História – 1822-1889. I. Título. II. Título: Mil oitocentos e
oitenta e nove.
13-00819 CDD: 981.04
                                                                                                                                                                                                                             CDU: 94(81).071

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