A trajetória vitoriosa da esquerda baiana

Finda a ditadura militar, na Bahia, o carlismo mantinha-se no poder com poucas chances da oposição mudar o jogo. Essa era a minha visão da situação vigente. Era inegável a capacidade de articulação do líder Antônio Carlos Magalhães que, a despeito dos seus defeitos então reconhecidos pelo próprio, era admirado pela população baiana. Essa admiração evoluiu sempre até sua derrocada no enfrentamento das forças dominantes no sudeste, na figura do deputado Michel Temer. Na sua busca, de forma agressiva, de alavancar o nome do então deputado federal Luís Eduardo Magalhaes, trombou de frente com o substituto deste na presidência da câmara federal. Impossível para nós simples mortais, residentes em Salvador, saber em detalhes tudo que aconteceu até a morte do deputado Luís Eduardo.

A partir de 15 de março de 1985 o Brasil volta à sua condição de país com um regime democrático e com eleições em todos os níveis. Na Bahia o governo do estado era comandado por João Durval Carneiro sucedendo o grande líder Antônio Carlos Magalhães. Passado algum tempo, pessoas que como eu gostavam de analisar o jogo político no estado, ficamos sem entender direito o que estava ocorrendo com as oposições, na ânsia de entender ou interpretar uma situação por demais conflitante. Ouvindo pelo rádio e na TV Itapuã, de triste memória, – explico de imediato: essa TV, monopólio na época, tinha um péssimo habito de nunca fazer o que, antes, havia programado fazendo constantes chamadas para uma atração ou filme que, geralmente, não acontecia; quando ligávamos para essa emissora a resposta era sempre a mesma: “mude de canal” – eu ficava intrigado com o “choro” da esquerda que a mim parecia querer a volta da ditadura. Era flagrante o medo dessa esquerda já que, a partir daquele momento, não mais seria só pedra com sua retórica agressiva na luta contra esse regime de exceção que tanto nos constrangeu, por tanto tempo. Agora a condição, até hoje reconhecida, de muita conversa e pouca ação parecia assustar a oposição baiana frente ao carlismo extremamente agressivo e com quadros de muita competência técnica e administrativa.

Após um governo pouco operante do Sr. João Durval Carneiro, provavelmente pelo controle excessivo do comandante máximo que não abria mão da condição de chefe de estado com total controle das três instituições que compunham o estado democrático da Bahia: executivo, legislativo e judiciário; abria-se uma brecha profunda tornando realidade o pesadelo das esquerdas baianas que era a necessidade de se provar capaz no campo da gestão pública assim como era muito competente, no campo das ideias.

Numa trajetória fulgurante o então político baiano, Valdir Pires, obteve vitória ampla e esmagadora para o governo da Bahia. Não lembro se, à época, o bordão “herança maldita” era usado como desculpa prévia para um possível governo ineficiente. O governo do Sr. Valdir Pires se mostrava tão incompetente que seus aliados não tiveram tempo de usar isso. Na condição de servidor público da administração indireta era comum ouvir os novos aliados, do governador, o chamarem de “abelha”. Intrigado perguntei a razão daquilo quando ouvi o interlocutor falar sob risos que não pedia disfarce: “quando não está voando tá fazendo cera”.

Após dois anos de um governo desastroso o então governador afastou-se do cargo para candidatar-se como vice na chapa do candidato à presidência Ulisses Guimarães. No seu lugar ficou o, ainda inexperiente, Nilo Coelho que governou de forma parecida com um certo presidente dos tempos atuais: totalmente sem direção nem propósito.

Terminada a gestão da dupla temerária – condição essa (temerária) que viria a ser ocupada pelo ex-prefeito da cidade de Salvador na Bahia, João Henrique Carneiro – o líder do carlismo voltou ao Palácio de Ondina nos braços do povo cansados daquela administração incompetente, desastrosa e temerária.

Antônio Magalhães exerceu um dos governos mais técnicos e profícuos que o estado da Bahia, até então, não sabia que poderia existir.

Em 2004 o carlismo obteve sua última vitória com o Geólogo Paulo Souto que, a despeito de sempre realizar excelentes administrações, não logrou êxito quando foi derrotado em 2007 pelo ex-líder sindical Jaques Wagner. Agora sim o bordão “herança maldita” se fazia ouvir com uma constância além da necessária. Estratégia que visava justificar um possível fracasso de um governo onde todos seus membros estavam numa condição de “primeiro emprego”. Contrariando todas as expectativas essa administração obteve grande aceitação da população baiana conduzindo-o a um segundo mandato. Sem sombra de dúvidas o governador Jaques Wagner se mostrou um notável articulador além de comportamento tranquilo e conciliador: levou alguns bons quadros do grupo carlista para seu governo a exemplo do senador Otto Alencar.

Jaques Wagner elegeu seu sucessor que, por sua vez, se reelegeu para o governo do estado. Hoje temos um excelente governador que, reconheço, não possui a mesma condição de estadista como tinha o hoje senador Jaques Wagner, mas se mostra um notável chefe de governo e grande articulador político com um pragmatismo positivo quando busca alianças que alavancam suas aspirações assim como as necessidades do nosso estado.

Entretanto surge no horizonte o herdeiro do carlismo, ACM Neto, que se mostra um excelente gestor à frente da prefeitura da capital além da sua, antes improvável, condição de humanista e democrata convicto. Apoiou o atual governo da união numa disputa interna do partido Democratas quando foi voto vencido. Preferia o candidato Ciro Gomes com quem se identifica na condição de ser capaz de liderar os melhores além de não precisar, de forma nenhuma, barganhar para se manter no poder. A sua atuação o credencia a se candidatar a qualquer cargo, hoje, no cenário nacional.

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