A Coragem e o Heroísmo do Corpo Médico Brasileiro

O corpo médico brasileiro – leia-se: em todos os estados do Brasil – atuando na linha de frente, enfrenta todos os tipos de sentimentos comuns em uma situação de guerra: medo, angústia, incertezas, saudade, coragem, disciplina, saudade, amor, compromisso, etc. São esses os sentimentos que invadem o dia a dia de médico(a)s, enfermeiro(a)s, assistentes, técnicos, maqueiros, motoristas e demais pessoas que atuam na linha de frente.

Fico a imaginar se esse tipo de comportamento é comum a todos os tipos de guerras em que a vida, de cada um, tem elevado risco de terminar. Sim, elevado risco de morrer, porque o perigo existe mesmo em tempos de paz onde é preciso enfrentar o dia a dia, seja no trabalho, indo ou voltando para casa, em casa, no lazer, etc.

Maior risco enfrentam aqueles que trabalham no combate a todo tipo de criminalidade. Entretanto, ao traçar um paralelo entre esses verdadeiros heróis e as nossas forças policiais, no que diz respeito ao perfil que os componentes dessas forças armadas, ou não, precisam ter uma lembrança me invade a alma. Mais precisamente o estranho edital de convocação de novos componentes para a PM de um estado brasileiro. Será que esses heróis da saúde se enquadrariam naquele edital onde estava escrito… tem que ser homem…!

Não seria o caso de se rever o perfil das pessoas que “servem” para servir nas polícias civis e militares? Ou simplesmente chegar-se à conclusão que não temos os melhores métodos de escolha para aparelhar essas instituições que segregam, maltratam seus noviços na busca de torna-los “duros” “frios” ou outros adjetivos quaisquer?

Não seria o puro caso de pessoas mal treinadas, mal aparelhadas, ou de perfil psicológico inadequado para lidar com a população, seja ela do tipo que segue todas as regras ou do tipo que infringe as regras vigentes no nosso código penal?

Na Alemanha a formação e o treinamento dos policiais explicam o elevado nível no que diz respeito à segurança do cidadão e o comportamento dos policiais. No site da “ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS POLICIAIS E BOMBEIROS MILITARES DO ESTADO DO PARANÁ, https://www.assofepar.org.br/artigo-explica-como-funciona-o-modelo-policial-na-alemanha, o Major Sérgio Carrera de Albuquerque Melo Neto em um artigo sobre a formação de policiais na Alemanha afirma: “As competências da Bundespolizei, órgão subordinado ao Ministério Federal do Interior, são as definidas pela Lei que regulamenta a Polícia Federal (Bundespolizeigesetz), de 19 de outubro de 1994, que compreendem, entre outras, a proteção das fronteiras, incluindo fronteiras marítimas; a segurança ferroviária; a segurança aérea; operações internacionais; apoio às missões internacionais; proteção dos bens e interesses da Federação; apoio as outras instituições policiais; e, atribuições policiais em caso de catástrofes ou da defesa nacional.

A Bundespolizei tem um sistema com três níveis de policiais. Para o primeiro nível é requerido um diploma de ensino médio (10 anos) seguido de um treinamento policial de dois anos e meio. Para o segundo nível (“comando júnior” – similar aos postos de tenentes, capitães e até majores com “5 estrelas prateadas”) é necessária uma graduação de 12 anos (ensino avançado) seguida de três anos de treinamento. Para o terceiro nível – “comando sênior” (ciclos semelhantes aos de oficiais superiores e oficiais generais – a partir de major com estrela dourada) é necessária titulação de uma universidade em áreas selecionadas, como Direito e Ciência Política, dentre outras (nível mestrado). É obrigatório um curso de carreira de dois anos e meio para ascensão profissional. Os membros do nível respectivo podem candidatar-se a uma promoção para o próximo nível, o que exigirá, no entanto, a participação no treinamento completo, conforme descrito anteriormente. Os candidatos devem se submeter a um centro de avaliação para verificar suas habilidades. Isso inclui testes físicos e intelectuais, além de exames médicos.

As promoções são realizadas com base no desempenho de cada policial. Cada posto na Polícia Federal é financiado por três níveis diferentes, indicando requisitos mínimos e máximos. A cada três anos, os policiais são avaliados e baseados neste e em outros indicadores subsidiários (tempo em determinado cargo, de comando/chefia, tempo no posto atual, etc.) e são agrupados em uma lista de promoções. Quando o orçamento vem do governo federal para promoções, os oficiais são promovidos com base em sua posição na lista (meritocracia – engloba o indicador da antiguidade). No entanto, este é o sistema policial federal”.

E as nossas policias como são formadas? No site da “Revista Exame” https://exame.com/brasil/formacao-da-pm-e-baseada-em-abusos-dizem-policiais/ uma reportagem dá a exata dimensão:

Formação da PM é baseada em abusos, dizem policiais.

“Praças da PM criticam formação focada na servidão aos oficiais, vivida em um ambiente em que abusos físicos, psicológicos e disciplinares são rotina.”

”“Bora, bora, você é um bicho. Você é um jumento, seu gordo!”. O ex-soldado Darlan Menezes Abrantes imita a fala dos oficiais que o instruíam na academia quando ingressou na Polícia Militar do Ceará, em fevereiro de 2001. “Às vezes, era hora do almoço e os superiores ficavam no meu ouvido gritando que eu era um monstro, um parasita.

Parecia que “tava” adestrando um cachorro. O soldado é treinado pra ter medo de oficial e só. O treinamento era só mexer com o emocional, era pro cara sair do quartel igual a um pitbull, doido pra morder as pessoas.

Como é que eu vou servir a sociedade desse jeito? É ridículo. O policial tem que treinar o raciocínio rápido, a capacidade de tomar decisões. Hoje se treina um policial parece que está treinando um cachorro pra uma rinha de rua”, reflete.

Darlan lembra sem saudade dos sete meses passados no extinto Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM cearense.”

“Sempre que um professor faltava, éramos obrigados a fazer faxina em todo o quartel. E o pior: quem reclamava podia ficar preso o fim de semana todo. A hierarquia fica acima de tudo no militarismo. O treinamento era só aquela coisa da ordem unida [exercícios militares de formação de marcha, de parada ou reunião dos membros da tropa], ficar o dia inteiro marchando debaixo do sol quente. Lá dentro é um sistema feudal, você tem os oficiais que podem tudo e os soldados que abaixam a cabeça e pronto, acabou. Você é treinado só pra ter medo de oficial, só isso. O soldado que vê o oficial, mesmo de folga, se treme de medo”, diz.

Enquanto era policial, Darlan estudava Teologia no Seminário Teológico Batista do Ceará e Filosofia na UECE (Universidade Estadual do Ceará). O ex-soldado conta que passou a questionar algumas ordens e instruções enquanto frequentava a academia e logo ganhou um apelido: “Mazela”, uma gíria mais comum no nordeste do Brasil para uma pessoa mole, preguiçosa.”

Por Ciro Barros, da Agência Pública

Publicado em: 24/07/2015 às 17h31 – Alterado em: 29/05/2017 às 16h21

Acredito ser o momento de se criar as escolas de policia onde o recruta tenha condições de demonstrar suas aptidões. A polícia comum, como o é a nossa policia militar, seria composta por policiais civis podendo fazer parte do esquadrão de elite, que viria a substituir a PM, se demonstrasse aptidões relacionadas com a sua condição atlética, formação completa em artes marciais, especialista em tiro, formação intelectual voltada para trabalhos em ambiente de alto risco, etc..

Ou será que é isso que merecemos? Somos um povo mal-ajambrado, intolerante, ignorante, perverso, deseducado, merecedores de uma policia animalesca que nos proporciona espetáculo deprimente como o que vimos acontecer no estado do Ceará mais precisamente na cidade de Sobral, berço da família Gomes?

Que sentimentos, que eventos, que movimentos nos levaram a esse momento, tão singular, das nossas vidas onde vemos florescer a mediocridade, a impunidade, a intolerância, a violência travestida de paladinos da moralidade?

Que sentimentos nos levam a afirmar que a terra é plana, quando qualquer criança de oito ou dez anos, em tempos normais, não deixariam sem resposta essa afirmação estapafúrdia criando uma estorinha que pode ser resumida assim: o número quatro desde criança tem um amigo inseparável que teimava em admirar a cultura chinesa. Aos vinte e dois (22) anos decide dar vazão ao seu imenso desejo viajando para a China no intuito de aprender Mandarim assim como muitas outras coisas dessa incomensurável cultura milenar. Num belo dia de Janeiro o número quatro encontra-se na praia de Ipanema, totalmente deslumbrado, após algumas cervejas com os amigos, decide ligar para o inseparável amigo na China.

Telefone toca e o amigo na China atende

Amigo: Alô (voz de sono) quem é a essa hora?

Número quatro: Alô, amigo? Que voz e essa? Tira esse traseiro da cadeira, deixa os estudos para lá e vai à praia. Ai tem isso ou não?

Amigo: Olá número quatro. Tem isso sim! Mas, agora, são 02h47min da manhã, tá tudo escuro, céu fechado e tá fazendo um frio de matar.

Número quatro: Escuro, são 15h47min da tarde. Escuro como? Se eu estou vendo o sol, você tem que estar vendo ele, também. Minha madrasta, “veja bem”, ela não mente e me disse que a terra é plana e se eu estou vendo o sol, você tem que estar vendo, também, nem que seja na linha do horizonte.

Mas, voltando aos nossos heróis na luta contra a COVID-19, continua sendo estarrecedor a incompreensão do por que o isolamento social precisa ser respeitado. Se não vejamos: essa questão abrange algumas variáveis, vertentes, eventos, ou seja, como, isso, entender. Dois eventos se destacam dos demais e nos parecem óbvios. Um é a capacidade do sistema de saúde nacional atender, de forma humana e adequada, a todos os enfermos que chegam às portas desse sistema de saúde. Se adoecerem mais pessoas do que o sistema comporta, uma decisão angustiante, para quem vai tomar, se apresenta: quem vive e quem morre? Outra são as condições de trabalho que os componentes desse sistema de saúde irão enfrentar quando faltam EPIs, treinamento, etc. e sobra tensão, medo, solidão, incompreensão, “tome cloroquina”, trabalho árduo. Porque submeter o sistema de saúde, nossa linha de frente nessa guerra, a um estado lastimável de verdadeiro filme de horror? Confesso que não encontro razões para tal situação a não ser o fato de que colocamos no planalto central uma mente fria, mas, que atende perfeitamente à máxima, que dizem ser de Paulo Salin Maluf: burro com muita iniciativa é desastre, na certa!

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